Fórum Romano

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sexta-feira, 22 de julho de 2016

Trabalhando com fontes históricas em sala de aula e a construção da Cápsula do tempo 2016

Trabalhar com fontes históricas sempre requer um trabalho criativo do professor: como fazer alunos tão jovens - entre 10 e 11 anos entenderem o que são e qual a importância das fontes históricas? 
A vivência da sala de aula me ensinou que é necessário transformar as informações em algo significativo para eles, os alunos. Começamos a entender o que é história pela história de vida deles. Solicito que tragam para a aula objetos que lhes são importantes, significativos e que foram guardados por suas famílias para lembrar momentos importantes que tiveram juntos. 

Bonecas, certidões, cadernos de anotações, roupas de bebê...




Analisamos a importância dos objetos trazidos, por que foram escolhidos, o que revelam sobre o passado de quem a utilizou, levantamos hipóteses e, finalmente, classificamos as fontes. O sapatinho é uma fonte material, enquanto a fotografia é uma fonte visual. O registro de nascimento, o livro que a mãe preparou com tanto carinho relatando os primeiros anos do filho, são fontes escritas. Dessa forma, trabalhando de maneira mais concreta, a garantia de aprendizado significativo é alcançada por todos. 

A próxima atividade refere-se novamente à preservação da memória, mas agora para o futuro: a escrita de uma carta para o eu do futuro e a confecção da cápsula do tempo. 

A Carta: 
Os alunos elaboraram um texto onde se apresentaram, dizendo quem eram seus amigos no 6˚ano, o que faz para se divertir, que aulas mais gosta, quais seus sonhos e expectativas para dali há 4 anos, como espera estar quando o 9˚ano chegar e, claro, deixaram uma menagem para eles mesmos no futuro. .

O envelope
Cada aluno recebeu um envelope tamanho ofício. Deveriam decora-lo, escrever seu nome completo na parte externa e selecionar 3 fontes históricas em sua vida presente para guardar e ter acesso somente no 9˚ano. É muito interessante analisar o que eles selecionam para colocar nos envelopes, desde cartas de suas famílias, brinquedos, adesivos, fotos até pêlo de seus animais de estimação! 

A cápsula desse ano será aberta apenas em 2019. 








Ano passado me encantei com a história do apartamento de Paris de Madame Florian, fechado por 70 anos e que havia se transformado em uma cápsula do tempo, nos levando novamente a Paris da Belle époque.
Nas férias de 2015 li sobre as uma escola que, ao realizar reformas, encontrou por baixo das lousas utilizadas no dia a dia pelos professores e alunos, verdadeiros tesouros sobre o ensino no início do século nos Estados Unidos.
Achei sensacional poder conhecer como os professores ensinavam seus alunos há mais de 100 anos!
Funcionários da escola Emerson, em de Oklahoma, EUA, ao realizarem a troca das lousas da escola da cidade, se depararam com um verdadeiro tesouro, por baixo das lousas que estavam em uso haviam outras, datando 1917!
São desenhos, aulas de história, como a que se refere aos peregrinos, literatura, tabuadas...










Roleta de tabuada




Para saber mais: http://www.ctvnews.ca/world/a-lesson-in-time-1917-chalkboards-found-in-oklahoma-school-1.2409767

http://www.dailymail.co.uk/news/article-3114286/Lessons-past-High-school-renovations-reveal-students-chalkboard-drawings-frozen-time-Thanksgiving-1917.html

http://www.nbcnews.com/nightly-news/chalkboards-lessons-1917-uncovered-oklahoma-school-n375866

domingo, 17 de julho de 2016

Visita ao Teatro Colón em Buenos Aires

Ao iniciar a pesquisa sobre um possível roteiro a Buenos Aires nas férias de julho, as referências ao Teatro Colón como destino obrigatório começaram a me encantar.
Com as passagens em mãos, ao traçar nosso roteiro, ficou estabelecido que nossa primeira visita seria ao Teatro, no sábado a tarde. 
Assim como acontece com Teatro Municipal de São Paulo, embora tenha nome de Teatro, o Colón é uma casa de ópera, construído aos moldes de grandes casas de ópera europeias no período da belle époque, em 1908. O estilo eclético fascina os observadores com sua opulência e grandiosidade. 
As similaridades com nosso processo histórico também são muitos semelhantes: um oligarquia rica e poderosa- no caso argentino devido à exportação de cereais e ao a atividade portuária da Bacia Platina - precisa remodelar sua capital aos moldes europeus, com largas avenidas, construções fabulosas e, claro, uma casa de ópera. 
O edifício que visitamos é uma remodelação do antigo, construído em 1850. A construção iniciada em 1890, levou 20 anos para ser concluída e é cheia de lendas e mistérios, que deixam a visita e o discurso da guia ainda mais interessante,  como a morte por um ataque súbito do primeiro arquiteto italiano, Francesco Tamburini, responsável pelo projeto, aos 44 anos. O segundo arquiteto, Víctor Meano, sócio de Tamborini e também italiano, foi assassinado pelo amante da esposa, pasme, aos 44 anos. Após todos essas "coincidências" nenhum outro profissional queria vir a Buenos Aires e terminar a obra, mas um belga Jules Durmal finalizou o projeto em 1904, adotando muitos elementos do estilo eclético francês.
A ópera inaugura, em 25 de maio de 1808 foi Aida de Verdi. A acústica era o diferencial e atraia companhias de ópera europeias, chegando a rivalizar com grandes teatros de Milão e Nova Iorque. Como visitamos Buenos Aires nas comemorações do Bicentenário da Independência, não foi possível  tirar fotos da fachada do edifício, que estava sendo preparado para uma  grande ópera a céu aberto que ocorreria em 09/07.

                           
                                    https://pt.wikipedia.org/wiki/Teatro_Colón

A  visita guiada tem duração de 50 minutos, e são minutos muito bem gastos, a cada ambiente a admiração e a expressão: UAU! segue o tour da visita. Os materiais de primeira qualidade como os mármores de diversas tonalidades, todos vindos da Europa, assim como as esculturas e os magníficos vitrais são maravilhosos. 



Obras de arte em mármore italiano

Detalhes do atrio de entrada e da magnífica cúpula com vitral colorido. 

Os vitrais foram realizados pela Casa Gaudin, de Paris, em 1907 e trazem cenas da ópera Homero




Escada de acesso aos camarotes - destaque para as cabeças de leões que a adornam. A palavra para definir esse espaço não poderia ser outra: grandiosidade. 


      
   

No segundo andar fica o salão de recepções, ou Salão Dourado, onde a rica burguesa portenha fazia grandes recepções e acontecimentos sociais. O espaço é uma reprodução do Froyer do ópera de Paris, em dias específicos, essas salas são utilizadas para apresentações musicais de câmara, conferências e exposições. Para esses eventos não são cobrados ingressos. 

Pose para foto ao final da escada. 
Suntuoso teto e muitos detalhes

Lustres e colunas com estruturas neoclássicas e barrocas, adornadas com folhas de ouro

El secreto - escultura em mármore de carrara - Gustav Eberlein


Pescoços erguidos e Clara tenta captar detalhes

Objetos de decoração lindíssimos, todos franceses, os móveis desse espaço são a prova de fogo.

                                                Espelhos tão lindos, como resistir à selfie? 




A sala de espetáculo é impressionante, um aspecto que me chamou muito a atenção foi o fato de poder fotografar todo o ambiente, aqui em São Paulo o Teatro Municipal tem severas restrições sobre o que pode e o que não pode ser fotografado. 
A cúpula da sala tem 318 metros quadrados e a acústica proporcionada pela sala é considerada a quinta melhor do mundo. Característica do período também é o fato de que existem camarotes para ver e para serem vistos. Como assim? Oras, nem sempre o mais caro garantia a melhor vista do placo, mas sim o fato de que a plateia veria a pessoa que estava sentada ali, suas roupas e acessórios e invejaria sua riqueza. 
Na época da inauguração as entradas nos camarotes ficavam restritas à elite portenha enriquecida,  os italianos imigrantes e pobres, acostumados à cultura e apreciadores de óperas, apenas conseguiam comprar ingressos na parte superior do teatro, chamada paraíso, dali pouco podia-se ver, mas a acústica é tão fantástica que tinha-se a impressão de estar no paraíso. 

Com 28 metros de altura e 32 metros de diâmetro, tem capacidade para acomodar 2478 pessoas sentadas e mais 500 em pé, no chamado paraíso. 
O lustre da cúpula central tem 700 lâmpadas e pesa duas toneladas e meia. 

O fosso abaixo do palco comporta uma orquestra com até 120 músicos. 



A cortina do palco pesa em torno de 700 quilos e foi confeccionada em 1936. 
Panorâmica da sala de espetáculo feita pela Clara

Mais uma selfie no espelho do camarote, todo construído em pinho canadense para evitar qualquer tipo de umidade e auxiliar na acústica. A visão do palco é muito boa e achei sensacional a utilização dos espelhos para impedir a visão do camarote vizinho. 

No subsolo há uma exposição de figurinos, cenários e sapatos, infelizmente fechada durante nossa visita. 

Onde: Apesar de ocupar 3 das principais avenidas de Buenos Aires: Cerrito, Viamonte, Tucumán y Libertad, a entrada é feita pela antiga entrada de carruagens, na avenida Tucumán. 
Quando: As visitas guiadas ocorrem diariamente das 9 às 17:00, saem visitas guiadas a cada 15 minutos e todas são realizadas em espanhol. 
Quanto: $250,00 (duzentos e cinquenta pesos argentinos - julho de 2016 - R$ 55,00) - pode ser pago com cartões de crédito Visa e Mastercard
Comentário: Achei bem cara a entrada e visita guiada, levando em conta os valores das atrações históricas aqui no Brasil e o fato de que éramos 3 pagantes - estudantes brasileiros NÃO tem descontos - mas a visita foi linda, a guia muito atenciosa e as explicações ótimas.