Fórum Romano

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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

2˚Ano: Exercícios Iluminismo + Independência das 13 colônias

Olá alunos;

Seguem os exercícios que combinamos. Não pirem, estudem!!!!
O gabarito coloco na sexta que vem. Dúvidas? Me procurem!!!


1. (Uerj 2012)  O Iluminismo é a saída do homem do estado de tutela, pelo qual ele próprio é responsável.
O estado de tutela é a incapacidade de utilizar o próprio entendimento sem a condução de outrem. Cada um é responsável por esse estado de tutela quando a causa se refere não a uma insuficiência do entendimento, mas à insuficiência da resolução e da coragem para usá-lo sem ser conduzido por outrem. Sapere aude!* Tenha a coragem de usar seu próprio entendimento.
Essa é a divisa do Iluminismo.
IMMANUEL KANT (1784)

*Expressão latina que significa “tenha a coragem de saber, de aprender”.

In: BOMENY, Helena e FREIRE-MEDEIROS, Bianca. Tempos modernos, tempos de sociologia. São Paulo: Ed. do Brasil, 2010.

No contexto da expansão capitalista no século XIX, uma das ideias centrais do Iluminismo, de acordo com o texto, está associada diretamente à valorização da:
a) superioridade técnica   
b) soberania econômica   
c) liberdade política   
d) razão científica   
  
2. (Ufms 2010)  “Classificar, delinear, dividir, sistematizar, criar um mapa mundi do saber. Esta era a ideia dos iluministas Diderot e D’Alambert: ordenar o mundo em categorias em uma enciclopédia com 17 volumes de texto. O projeto enciclopedista talvez seja a influência mais visível do iluminismo em nosso cotidiano. A escola, a divisão do conhecimento em disciplinas específicas, os livros didáticos, os telejornais revelam claramente essa busca classificatória. A Enciclopédia iniciava com um quadro esquemático do conhecimento humano, uma permanência que perpassa desde organogramas de empresas até as classificações da biologia.”
(DARNTON, Robert – O Grande Massacre de Gatos. RJ: Graal, 1986, p. 272-273)

Com base no texto e nos seus conhecimentos sobre o assunto, assinale a(s) afirmativa(s) correta(s) a respeito do Iluminismo.
01) O impulso renovador das ideias iluministas provocou, na Europa, um grande interesse pelos problemas da vida em sociedade, possibilitando o surgimento de novas ideias e de teorias econômicas.   
02) Em seu conjunto, os iluministas sustentavam a tese de que só um Estado ditatorial, controlado pela classe trabalhadora, seria capaz de eliminar a resistência burguesa e abolir as desigualdades entre as classes sociais.   
04) O espírito renovador, presente no Iluminismo, conduziu a um profundo estudo das ciências, campo onde ocorreu um grande avanço.   
08) Originado na Inglaterra, difundido pela França, o Iluminismo pregava a razão, a liberdade do espírito, a livre crítica e a tolerância religiosa, contrapondo-se, assim, ao peso da tradição, do dogmatismo religioso e filosófico e ao absolutismo monárquico.   
16) O Iluminismo, em seu conjunto, fazia uma incisiva crítica ao mundo civilizado e propunha um retorno às formas de vida da sociedade primitiva.   
  
3. (Puc-rio 2009)  Sobre os movimentos de independência ocorridos na América inglesa, em 1776, e na América hispânica nas primeiras décadas do século XIX, estão corretas as alternativas, À EXCEÇÃO de uma. Indique-a.
a) Em meados do século XVIII, nas treze colônias inglesas, os colonos americanos reagiram contra as leis impostas pelo Parlamento britânico e organizaram-se para defender a sua autonomia político-administrativa, a liberdade de comércio e a igualdade de direitos entre os habitantes do Reino e das colônias.   
b) Em 1776, as colônias inglesas votaram a Declaração de Independência, que defendia princípios fundamentais do Iluminismo como a igualdade, o direito à liberdade e a instituição de governos fundados no consentimento dos governados.   
c) Os movimentos de independência na América hispânica estão diretamente relacionados à invasão napoleônica da Espanha em 1808 e à deposição do rei Fernando VII, que resultaram no estabelecimento de juntas de governos locais na América, iniciando um intenso e amplo período revolucionário.   
d) Assim como ocorreu com as treze colônias inglesas, todas as colônias espanholas na América tornaram-se independentes ao mesmo tempo, apesar de não terem mantido a unidade territorial existente e terem se dividido em vários estados nacionais independentes.   
e) A revolução de independência das treze colônias inglesas e também os ideais iluministas depositários de novos princípios de organização política e social, contrários à monarquia, ao direito divino dos reis e a favor da soberania popular, tiveram uma enorme influência nos movimentos de independência da América hispânica.   
  
4. (G1 - uftpr 2008)  A Revolução Francesa de 1789 foi diretamente influenciada pela Independência dos Estados Unidos da América e pelo Iluminismo no combate ao Antigo Regime e à autoridade do clero e da nobreza na França. Além do mais, a França passava por um período de crise econômica após a participação francesa na guerra da independência norte-americana e os elevados custos da Corte de Luís XVI, que tinham deixado as finanças do país em mau estado. Em 1791, os revolucionários promulgaram uma nova Constituição, a partir dos princípios preconizados por Montesquieu, que consagrou, como fundamento do novo regime:
a) a subordinação do Judiciário ao Legislativo.   
b) a divisão do poder em três poderes.   
c) a supremacia do Judiciário sobre os outros poderes.   
d) o estabelecimento da soberania popular.   
e) o fortalecimento da monarquia absolutista.   
  
5. (Enem 2007)            Em 4 de julho de 1776, as treze colônias que vieram inicialmente a constituir os Estados Unidos da América (EUA) declaravam sua independência e justificavam a ruptura do Pacto Colonial. Em palavras profundamente subversivas para a época, afirmavam a igualdade dos homens e apregoavam como seus direitos inalienáveis: o direito à vida, à liberdade e à busca da felicidade. Afirmavam que o poder dos governantes, aos quais cabia a defesa daqueles direitos, derivava dos governados.
            Esses conceitos revolucionários que ecoavam o Iluminismo foram retomados com maior vigor e amplitude treze anos mais tarde, em 1789, na França.

            Emília Viotti da Costa. Apresentação da coleção. In: Wladimir Pomar. Revolução Chinesa. São Paulo: UNESP, 2003 (com adaptações).

Considerando o texto acima, acerca da independência dos EUA e da Revolução Francesa, assinale a opção correta.
a) A independência dos EUA e a Revolução Francesa integravam o mesmo contexto histórico, mas se baseavam em princípios e ideais opostos.   
b) O processo revolucionário francês identificou-se com o movimento de independência norte-americana no apoio ao absolutismo esclarecido.   
c) Tanto nos EUA quanto na França, as teses iluministas sustentavam a luta pelo reconhecimento dos direitos considerados essenciais à dignidade humana.   
d) Por ter sido pioneira, a Revolução Francesa exerceu forte influência no desencadeamento da independência norte-americana.   
e) Ao romper o Pacto Colonial, a Revolução Francesa abriu o caminho para as independências das colônias ibéricas situadas na América.   
  
6. (Ufrs 2005)  No século XVIII, a filosofia das Luzes - o Iluminismo - constituiu um momento decisivo na história das ideias.
Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações a seguir, referentes a esse tema.

(     ) O movimento das Luzes teve seu maior esplendor na França, que constituía a maior potência da Europa ocidental, seja pelo número de habitantes, seja pelos recursos econômicos.
(     ) A despeito da concepção positiva da natureza humana e, portanto, da crença da perfectibilidade do homem, os pensadores iluministas recusaram qualquer engajamento na vida pública, negando a validade das reflexões políticas.
(     ) As Luzes encontraram suas raízes no progresso realizado no campo científico, ao longo do século XVII, através das contribuições de Galileu e Pascal, entre outros.
(     ) Como princípio-chave, a filosofia iluminista almejava fazer progredir o espírito crítico através de uma reflexão livre: a razão tornou-se o imperativo supremo.
(     ) O século das Luzes pôde atingir tamanho desenvolvimento na medida em que contou com a mais ampla liberdade de expressão e de imprensa, à qual o Estado não impunha censuras.

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
a) F - F - V - V - V.   
b) V - V - F - F - F.   
c) F - V - F - V - V.   
d) V - F - V - V - F.   
e) F - V - F - F - V.   
  
7. (Uem 2004)  "O homem nasceu livre e está sempre acorrentado. Há quem se julgue dono dos outros, mas não deixa de ser mais escravo do que eles. (...) Quando um povo é obrigado a obedecer e obedece, faz bem; logo que ele pode romper o jugo, e o rompe, faz ainda melhor: pois, recuperando sua liberdade com o mesmo direito com que lhe foi tirada, ou é justo que ele a reconquiste, ou não era justo que lhe fosse tirada."

(ROSSEAU, Jean Jacques. Contrato social).

Rosseau, o autor do texto acima, é considerado um dos maiores expoentes do Iluminismo. A respeito do Iluminismo, assinale a(s) alternativa(s) correta(s).
01) Além de Rosseau, entre os principais pensadores iluministas, podem-se incluir Dante Alighieri, Tomasio Campanella e Montaigne.   
02) Originado na Inglaterra, difundido pela França, o Iluminismo pregava a razão, a liberdade do espírito, a livre crítica e a tolerância religiosa, contrapondo-se, assim, ao peso da tradição, do dogmatismo religioso e filosófico e ao absolutismo monárquico.   
04) O Iluminismo, em seu conjunto, fazia uma incisiva crítica ao mundo civilizado e propunha um retorno às formas de vida da sociedade primitiva.   
08) O impulso renovador das ideias iluministas provocou, na Europa, um grande interesse pelos problemas da vida em sociedade, possibilitando o surgimento de novas ideias e de teorias econômicas.   
16) O espírito renovador, presente no Iluminismo, conduziu a um profundo estudo das ciências, campo onde ocorreu um grande avanço.   
32) As raízes mais remotas do Iluminismo podem ser encontradas no Renascimento, no destaque dado por esse período à liberdade individual e à luta contra o fanatismo.   
  
8. (Ufrn 2003)  Sófocles, um dos grandes autores do teatro grego antigo, escreveu a tragédia "Antígona", na qual Creonte, rei de Tebas, proíbe que Polinices, filho de Édipo e irmão de Antígona, seja sepultado. Flagrada desobedecendo ao edito real, Antígona é levada à presença de Creonte, ocasião em que se estabelece o seguinte diálogo:

CREONTE - [...](a Antígona) dize-me, sem rodeios; sabias que te era vedado, por um edito, fazer o que fizeste?
ANTÍGONA - Sim, sabia-o bem. Como poderia ignorá-lo, se toda gente o sabe?
CREONTE - E, apesar disso, atreveste-te a passar por cima da lei?
ANTÍGONA - [...] não creio que os teus decretos tenham tanto poder que permitam a alguém saltar por cima das leis, não escritas, mas imutáveis, dos deuses; a sua vigência não é, nem de hoje nem de ontem, mas de sempre, e ninguém sabe como e quando apareceram.
SÓFOCLES. "Antígona". Lisboa: Verbo, [s. d.]. p. 24.

Algumas concepções desse trecho de Sófocles estão também presentes nas ideias de John Locke, um dos grandes pensadores políticos do Iluminismo do século XVIII. Sófocles e Locke têm um pensamento comum quando concebem que
a)  os homens firmaram um pacto social e instituíram o governo para empregar a força coletiva na defesa das leis naturais.   
b)  os homens estariam sujeitos a conflitos de interesses que poderiam ameaçar o direito de propriedade, caso permanecessem em seu estado natural.   
c)  os homens poderiam se rebelar quando os governantes abusassem do poder e violassem os direitos que eles haviam adquirido desde o seu nascimento.   
d)  os homens necessitaram de leis aprovadas por mútuo consentimento e aplicadas por juízes e tribunais imparciais.   
  
9. (Uff 2001)  O iluminismo do século XVIII foi responsável por novas ideias e possibilidades de leitura do mundo e da sociedade.
Considere desdobramentos da afirmativa acima e numere a coluna inferior de acordo com a superior.

(1) Obra de relevante importância dentre as produzidas pelos filósofos das luzes.
(2) Empreendimento literário-científico que pretendeu sistematizar todo o conhecimento da época.
(3) Lema central das ideias de oposição ao Antigo Regime, presente na propaganda da Revolução Francesa.
(4) Principal ideia das teorias iluministas acerca do desenvolvimento da história humana.
(5) Síntese do pensamento jacobino na etapa final da Revolução Francesa.

(     ) O Contrato Social de J. J. Rousseau
(     ) A Enciclopédia orientada por Diderot e D'Alembert
(     ) Progresso
(     ) Liberdade, Igualdade e Fraternidade

Assinale a opção que apresenta a sequência correta da numeração.
a) 1, 2, 4, 3   
b) 2, 1, 3, 4   
c) 2, 3, 4, 5   
d) 4, 3, 2, 5   
e) 5, 2, 1, 3   
  
10. (Fuvest 2001)  "Seria mais correto chamarmos o Iluminismo de ideologia revolucionária... Pois o Iluminismo implicava a abolição da ordem política e social vigente na maior parte da Europa"
            Eric J. Hobsbawm. A Era das Revoluções, 1789-1848.

Descreva a ordem política e social que o Iluminismo criticava e pretendia destruir.
  
11. (Ufpb 1998)  Sobre o processo de Independência dos Estados Unidos, é correto afirmar que
a) as leis do Parlamento inglês, reforçando o controle comercial-tributário da metrópole, contribuíram para convencer os colonos da necessidade de separação.   
b) a situação das colônias americanas tornou-se muito difícil quando a monarquia francesa resolveu dar apoio militar ao reino inglês.   
c) os colonos perceberam a inevitabilidade da independência logo que realizaram o Primeiro Congresso Continental de Filadélfia.   
d) as ideias liberais de John Locke inspiraram o pensamento de Jefferson e outros líderes, mas pouco influenciaram a Declaração da Independência.   
e) os colonos encontraram no Iluminismo o suporte ideológico para defenderem a igualdade social e recusarem qualquer influência religiosa.   
 




Gabarito:  

Resposta da questão 1:
 [D]

O iluminismo está associado aos valores burgueses difundidos desde o século XVIII e que, no século seguinte se tornaram predominantes. O racionalismo iluminista caracterizou-se pela confiança na razão, no progresso e na ciência, e pelo incentivo à liberdade de pensamento. O ideal do Iluminismo era levar esses valores a prevalecer e triunfar sobre o mito, a crendice, o "sobrenatural", o misticismo, a fé, o dogma, o fanatismo, a intolerância.  

Resposta da questão 2:
 01+ 04 + 08 = 13

O pensamento iluminista, ao fundamentar e defender o direito à liberdade e a igualdade de direitos e a importância da razão, se contrapunha ao Antigo Regime e estabeleceu as bases teóricas para as revoluções que levariam ao estabelecimento os governos representativos, além de contribuir significativamente para o avanço da ciência.  

Resposta da questão 3:
 [D]  

Resposta da questão 4:
 [B]  

Resposta da questão 5:
 [C]

Os dois movimentos se integram ao mesmo contexto e se baseiam nos princípios iluministas, que condenavam o absolutismo e o mercantilismo. Os Estados Unidos foram as primeiras áreas coloniais a romper com o pacto colonial e serviram de exemplo para as demais colônias latino-americanas.  

Resposta da questão 6:
 [D]  

Resposta da questão 7:
 58  

Resposta da questão 8:
 [C]  

Resposta da questão 9:
 [A]  

Resposta da questão 10:
 O texto de Hobsbawm refere-se ao Antigo Regime, que vigorava em boa parte da Europa na Idade Moderna. Caracterizava-se, no campo político, pela monarquia absoluta, baseada na teoria do direito divino (o poder emana de Deus); no campo social, pela sociedade de privilégios, baseada no nascimento. O movimento iluminista tinha como bandeira a luta pela igualdade e pela liberdade - elementos básicos para se alcançar o progresso humano por meio do desenvolvimento científico.  

Resposta da questão 11:
 [A]  





  

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

1˚Ano: Ensino Médio

Alunos que piram na aula de História;

   Como não pirar com a História do Egito Antigo??? Se até Napoleão Bonaparte viu-se encantado com as maravilhas produzidas por esta brilhante civilização, o que dizer de nós, simples mortais??? Piramos com as maravilhas do Egito Antigo !
   Para quem quiser navegar pelo site do Museu do Cairo, repleto de maravilhas, basta clicar no link: http://www.egyptianmuseum.org/
  Segue a pirâmide social egípcia, que ficou faltando na apresentação:

   

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

9˚s anos: Diários da I Guerra Mundial

Olá pessoal;

   Sempre adorei os relatos produzidos por aqueles que vivenciaram os conflitos, é tão real, tão cheio de emoções... Faz tudo parecer mais vivo, como se tivesse acabado de acontecer. A I Guerra Mundial foi chamada de Grande Guerra não a toa, foi um conflito sem precedentes, não somente pelos 10 milhões de mortos e 20 milhões de feridos, mas pelas dimensões que assumiu na vida daqueles que foram obrigados a passar por ela e nas feridas profundas que deixou sem cicatrizar.
   Há alguns anos li o livro Vozes Roubadas, diários de guerra, organizado por Zlata Filipovic e Melanie Challenger. Como não me emocionar com os relatos da jovem Piete Kuhr, sua ingenuidade e olhar singular sobre os acontecimentos que castigavam sua Alemanha? Sempre tento dividir essas emoções com vocês, meus alunos, meus ouvintes...

   Ano passado, pesquisando para o blog encontrei o blog da Marcella Rossetti e adorei o trabalho que ela realizou com seus alunos e, como vocês me surpreenderam com as músicas maravilhosas no ano passado, vamos utilizar o material como modelo! Confiram como ficou legal!!!
    Verifiquem também o site da Veja na História, não só as edições sobre a I Guerra Mundial, mas também muito outros temas super interessantes.
http://veja.abril.com.br/historia/
    Fica também a dica de ótimos filmes como o romance francês: Eterno Amor http://www.adorocinema.com/filmes/eterno-amor/  Feliz Natal: http://www.adorocinema.com/filmes/feliz-natal/


      Vamos lá? Munam-se de seus sentimentos dramáticos e mergulhem nessas fascinantes histórias!

Texto 1:

1914:

      Hoje é dia 1˚ de agosto de 1914. Faz muito calor. Faz muito calor. Começaram a colher o centeio no dia 25 de julho, já está quase branco. Quando passei por um campo esta noite, colhi três ramos e fixei-os sobre a minha cama com uma tachinha. 
      A partir de hoje a Alemanha está em guerra. Minha mãe me aconselhou a escrever um diário sobre a guerra; ela acha que poderá me interessar quando eu for mais velha (...)
   Foram os sérvios que começaram. No dia 28 de julho, eles receberam o príncipe herdeiro Francisco Ferdinando e sua esposa Sophie. O casal real estava passeando de carro pela cidade de Sarajevo, e enquanto o carro passava, com eles acenando, houve uma emboscada e tiros foram disparados. Ninguém sabe quem foi o autor. O jornal diz que toda a Áustria Hungria está num alvoroço indescritível. Em Viena um ultimato foi redigido e enviado à Sérvia, mas os sérvios o rejeitaram. Todos dizem que os sérvios desejam a guerra para poderem manter seu estado de independência e que a Rússia irá apoiá-los. (...) 
      Áustria-Hungria, Alemanha, Sérvia, Rússia e França mobilizaram seus exércitos. Não fazemos ideia de como será a guerra. Há bandeiras em todas as casas da cidade, como se estivéssemos em época de algum festival (...) 
Piete Kuhr


“Queria tanto ir com eles ! Não quero ficar para trás e ser criança ! Tenho tanta pena dos soldados e dos cavalos” – Piete Kuhr, 06/08/1914 

Bibliografia: FILIPOVIC, Zlata; Challenger, Melanie (org). Vozes roubadas: diários de guerra. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

Texto 2:
22 de agosto de 1914

“De repente, uns silvos estridentes nos precipitaram ao chão, apavorados. A rajada acaba de estalar sobre nós Os homens, de joelhos, encolhidos, com a mochila sobre a cabeça e encurvando as costas, se apegavam uns aos outros. Por baixo da mochila dou uma espiada nos meus vizinhos: arquejantes, sacudidos por tremores nervosos e com a boca contraída numa contração terrível, batiam os dentes e, com a cabeça abaixada, tem o aspecto de condenados oferecendo a cabeça aos carrascos. Esta espera da morte é terrível. O cabo, que havia perdido seu capacete, me diz: rapaz, se soubesse que isso era a guerra e que vai ser assim todos os dias, prefiro que me matem logo. (…) Na sua alegre inconsciência, a maioria dos meus camaradas não havia jamais refletido sobre os horrores da guerra e não viam a batalha senão pelas cores patrióticas: desde nossa saída de Paris, o Boletim do Exército nos conservava na inocente ilusão da guerra ser um passeio e todos acreditavam na história dos boches se renderem aos magotes. (…) A explosão daquele instante, sacudiu nosso sistema nervoso, que não esperava por isso, e nos fez compreender que a luta que começava seria uma prova terrível. Escute meu tenente, parece que se defendem estes porcos!”

Diário do ten. Galtier-Boissière, na frente ocidental em 22 de agosto de 1914.

Texto 3: 

30 de agosto de 1914

[...] Os combates persistem com selvageria por todo o front oriental. Ao longo de toda a extensão de quase quatrocentos quilômetros a luta segue furiosa. Se ficarmos bem parados e prestarmos atenção, é possível sentir o chão tremendo levemente sob nossos pés. É uma sensação esquisita.
Colunas inteiras de refugiados da Prússia Oriental passaram pela cidade. Muitos estão chorando. Mas outros ficam bem quietos. Há mães com crianças bem pequenas. Elas metem as crianças sob os xales e as deixam mamar. Os trazeiros dos pequeninos estão assados porque as mães não têm fraldas suficientes para poder secá-las. Nós rasgamos antigos lençóis e camisas e demos a elas os retalhos para que embrulhem os bebês. [...]
Piete Kuhr
Bibliografia: FILIPOVIC, Zlata; Challenger, Melanie (org). Vozes roubadas: diários de guerra. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
Texto 4: 
“Os efeitos produzidos são bastante lamentáveis. O recruta recém-chegado recomeça a inquietar-se, sucedendo o mesmo com os outros dois. Um deles escapa, desaparecendo a correr. Os dois outros nos dão trabalho. Precipito-me atrás do fugitivo sem saber se lhe devo dar um tiro nas pernas. Ouço neste momento um assobio; deito-me no chão e quando me levanto vejo a parede da trincheira coberta de estilhaços de obus, ensanguentada por pedaços de carne e de restos de uniforme. Volto para o nosso abrigo.”
Remarque
Texto 5: 
O campo de batalha é terrível. Há um cheiro azedo, pesado e penetrante de cadáveres. Homens que foram mortos no último outubro estão meio afundados no pântano e nos campos de nabo em crescimento. As pernas de um soldado inglês, ainda envoltas em polainas, irrompem de uma trincheira, o corpo está empilhado com os outros; um soldado apóia seu rifle sobre eles. Um pequeno veio de água corre através da trincheira, e todo mundo usa a água para beber e se lavar; é a única água disponível. Ninguém se importa com o inglês pálido que apodrece alguns passos adiante. No cemitério de Langermak, os restos de uma matança foram empilhados e os mortos ficaram acima do nível do chão. As bombas alemãs, caindo sobre o cemitério, provocam uma horrível ressurreição. Num determinado momento, eu vi 22 cavalos mortos, ainda com os arreios. Gado e porcos jaziam encima, meio apodrecidos. Avenidas rasgadas no solo, inúmeras crateras nas estradas e nos campos.
Rudolf Binding, alemão.
Rudolf Binding. Um fatalista na guerra. Em: Adhemar M. Marques, Flávio Berutti e Ricardo Faria. História contemporânea através de textos. 3. ed. São Paulo, Contexto, 1994, p. 119.
Texto 6:

Na frente Ocidental, as condições de guerras finais em 1915 eram aterrorizadoras (…). Durante o Mês de Novembro a chuva foi tão intensa que muitas trincheiras tinham água até os joelhos e por vezes até a cintura. Houve um episódio nesse mesmo inverno que foi falado em toda frente Ocidental. Sobre um parapeito alemão narrou um homem chamado Gibbs (correspondente na linha de frente):  
   ‘’Apareceu um cartaz onde se lia; em grandes letras: ‘’Os ingleses são idiotas. Não somos tão idiotas quanto eles’’, disse ao sargento, e pouco depois o cartaz foi feito em pedaços com fogos de metralhadoras. Apareceu outro cartaz, que dizia: ‘’Os Franceses são idiotas’’. A lealdade para os nossos aliados causou a destruição desse cartaz. Surgiu um terceiro cartaz: ‘’Somos todos idiotas. Vamos, mas é para casa”. Esse cartaz, assim como os outros também foi destruído. Mas essa mensagem causou alguns sorrisos, e os homens diziam: “Há muito de verdade naquelas palavras.” Porque é que isto tem que continuar? È por causa do que?”. Os velhos que começaram essa guerra que venham lutar entre eles. /…/ Os homens que estão à lutar não tem nenhuma questão séria entre eles. Queremos ir todos para as nossas casas, para nossas mulheres, para o nosso trabalho. Mas nenhum dos lados estava preparado para ser o primeiro para ir à suas casas. Ambos os lados tinham caído numa armadilha- uma armadilha infernal, na qual não tinha escapatórias.
Martin Gilbert. A Primeira Guerra Mundial. 
Texto 7: 
“O odor fétido nos penetra garganta a dentro ao chegarmos na nossa nova trincheira, a direita dos Éparges. Chove torrencialmente e nos protegemos com o que tem de lonas e tendas de campanha afiançadas nos muros da trincheira. Ao amanhecer do dia seguinte constatamos estarrecidos que nossas trincheiras estavam feitas sobre um montão de cadáveres e que as lonas que nossos predecessores haviam colocado estavam para ocultar da vista os corpos e restos humanos que ali haviam.”

Raymond Naegelen, na região de Champagne.

Texto 8:


Madrugada de 22 de abril de 1915. Comandada pelos britânicos, a frota da Tríplice Entente prepara-se para iniciar a operação anfíbia que almeja a tomada do estreito de Dardanelos, passo primeiro da conquista da Turquia. Os botes que levam os soldados às praias estão partindo. Eric Bush, guarda-marinha de um dos barcos-escolta do HMS Bacchante, descreve a cena.



      Almofadados para evitar qualquer barulho, os remos são baixados cuidadosamente nos botes. Alguns soldados ajustam o equipamento, outros apertam a fivela do capacete ou ainda azeitam seus rifles. Porém... As cornetas em terra firme dão o alarme. Fomos avistados! As luzes se acendem. O inimigo abre fogo. Começa a chuva de balas. Está escuro o suficiente para vermos o espocar dos rifles e metralhadoras e claro o suficiente para reconhecermos os otomanos se movimentando em terra.


    Não há cobertura para nossos soldados. Diversos são atingidos antes de chegarmos ao continente. Vejo alguns deles tombarem nos botes lotados, tão logo levantam para sair, alvejados pelos projéteis inimigos. Graças a Deus, restam apenas mais algumas jardas. Assim que os barcos atracam, eles pulam. Em alguns casos, a terra firme está mais longe do que imaginam, e os soldados precisam arrastar-se para a margem com água na cintura. Os menos preparados afundam com seu equipamento pesado. Mas a maioria chega em segurança, joga-se na areia e, de trás de suas mochilas, começa a atirar.

   O major Shaw, da 29º Divisão britânica, uma das mais experientes de toda a operação e que estava encarregada de tomar as praias do cabo Helles, está em uma dessas embarcações.

A cerca de cem jardas da praia, o inimigo abriu fogo, e o chumbo veio quente, espirrando água por todos os lados. Eu não vi ninguém ser atingido nos botes – mas muitos foram, como meus contramestre-sargento e major-sargento, que estavam sentados a meu lado. Estávamos tão apertados, próximos uns aos outros, que não era possível se mover. Eles ficaram ali, sentados, mortos.

Quando o senti o barco tocar em terra, corri em direção ao arame farpado na praia, locomovendo-me pela água que devia estar ainda a um metro de altura. Descobri que apenas Munsell e outros dois homens haviam me seguido. À direita de mim, em um rochedo, havia uma fileira de otomanos em uma trincheira, atirando em nossa direção. Olhei para trás. Uma fila de soldados encontrava-se disposta nas bordas da areia. O mar estava absolutamente vermelho, e era possível ouvir os gemidos em meio ao ruído da fuzilaria. Havia alguns poucos dos nossos atirando de volta. Eu os chamei para avançar. O soldado atrás de mim, porém, gritou: "Fui atingido no peito." Percebi então que todos haviam sido atingidos.

Texto 8: 
O suboficial Johnson, da divisão naval britânica, chegou com segurança à praia e posicionou-se em um pequeno buraco próximo à trincheira.

Por quase uma hora, as enormes armas não pararam de cuspir projéteis, enquanto nos afundávamos nos buracos das trincheiras. Era bom quando dois caras podiam ficar juntos em um desses buracos – significava companhia. As pernas e os pés ficam para fora, mas as costas e a cabeça estão protegidas por talvez cinquenta, sessenta centímetros de terra, que qualquer cápsula ordinária pode destruir em um centésimo de segundo. É melhor nem pensar nisso. Acendemos um cigarro e ficamos olhando um para a cara do outro. É melhor esperar. Tudo que você vê é o lado oposto da trincheira de areia, que você encara com um olhar vago e distante. Os projéteis gritam alto e com frequência, e você ouve os rangidos, os berros e as explosões misturados. O chão abaixo e em seu entorno está tremendo e chacoalhando.

A fumaça entra no buraco e eu e meu companheiro começamos a tossir. Metade da areia que estava na superfície nos protegendo agora está em nosso pescoço e dentro de nossa calça. Nos perguntamos se um dia esse bombardeio irá parar... Mas de repente, os barulhos cessam e o ar fica claro. Percebemos que, ao menos por enquanto, o bombardeio parou. Depois de esperarmos mais alguns minutos, para ter certeza, saímos do buraco, em direção às trincheiras. Olhamos por sobre ela e tudo que vemos é um horizonte sem sinal de vida.

Retirado de Veja na História







Texto 9: 

Condições putrefatas de higiene atraem companhia indesejável nas trincheiras: piolhos – Batalhões de insetos perseguem recrutas – Ratos
comedores de cadáveres enojam soldados de todos os lados

Dia inteiro e a noite estrelada

Por eles não posso descansar ou dormir,

Nem me esconder ou bater em retirada.
Então em minha agonia eu os massacrei

Até de vermelho minhas mãos banhar

Em vão – quanto mais rápido eu matava

Mais cruéis ainda eles conseguiam voltar.
Eu matei e matei, com loucura assassina,

Matei até esgotar toda a minha garra,

E eles se levantavam para me torturar

Porque diabos só morrem fazendo farra.
Antes eu achava que o demônio se escondia

No sorriso das damas e no vinho gostoso

Eu o chamava de Satã, de Belzebu

Mas agora o chamo de piolho asqueroso.


Texto 10: 

Na noite do dia 10, discutíamos a missão do dia seguinte quando o telefone tocou. Uma voz quase histérica gritou a notícia em meus ouvidos: às 11 horas da manhã seguinte, a guerra acabaria. Nossa missão estava cancelada. Para nós, a guerra acabou naquele momento. Desliguei o telefone e olhei para meus pilotos. Todos perceberam a importância daquele telefonema. Silêncio total no recinto.
“A guerra acabou!”, gritei. Todos ficamos loucos. Berrando como malucos, corremos para pegar qualquer arma ou sinalizador para atirar para o alto! /…/
Olhei para meu relógio. Um minuto para as 11 horas. Trinta segundos. E então 11 horas, a décima-primeira hora do décimo-primeiro dia do décimo-primeiro mês. Eu era a única platéia do maior espetáculo já apresentado na Terra. De ambos os lados da terra de ninguém, as trincheiras entraram em erupção. Homens com uniformes marrons irromperam das trincheiras americanas, uniformes cinza-esverdeados saíam das alemãs. Do meu assento de observador, acima, vi atirarem seus capacetes para o ar, abandonarem suas armas e acenarem para o outro lado. Então, de um lado a outro do front, os dois grupos de homens começaram a avançar na terra de ninguém. Segundos antes, eles estavam dispostos a atirar um nos outros; agora eles se aproximavam. Inicialmente, de forma hesitante, mas depois com mais rapidez /…/.
De repente, uniformes cinzas se misturavam aos marrons. Eu pude vê-los abraçando uns a outros, dançando, pulando. Americanos distribuíam cigarros e chocolate. Voei para o setor francês. Lá era tudo ainda mais incrível. Depois de quatro anos de carnificina e ódio, eles estavam não apenas se abraçando, mas também se beijando nas duas bochechas também.
Bombas, foguetes e sinalizadores subiam aos céus, e dei meia-volta rumo à base.
A guerra havia acabado.